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Nativa: Mudando a Cena

Quero começar esse artigo compartilhando algumas cifras. Afinal querendo ou não o assunto desse texto de hoje envolve um dos maiores mercados de entretenimento do planeta, o Mercado Fonográfico.

Ah, as cifras…

Para quem não sabe o Mercado da Música fatura mais de US$ 20 bilhões por ano. Pegou esse número? Sim, 20 BILHÕES DE DÓLARES (imagina isso na minha conta! rsrs). Esses números mostram que o segmento é sim uma indústria gigante com oportunidades e produtos para todos os públicos e gostos.
Embora esses valores impressionem e o mercado seja realmente grande, não é segredo pra ninguém que o backstage ainda é formado por uma maioria de profissionais homens. Mesmo o mundo da música possuindo grandes roadies, técnicas, produtoras e artistas mulheres como a Anitta, por exemplo, que é uma parceira aqui da Roadie Store, tornar o backstage cada vez mais plural e inclusivo tem sido um desafio. E quem topou mudar esse cenário aqui no Brasil foi um coletivo muito bacana chamado Nativa.

Acho que você deve estar se perguntando “Como assim mudar o cenário?” ou “O que é Nativa?” – Continue lendo que eu explico!

Ah! Quero deixar aqui um agradecimento especial às roadies Paloma e Júlia Andrade, a primeira me apresentou a Nativa, já a segunda me contou tudo sobre esse coletivo e colaborou 100% com o texto abaixo sobre a Nativa.

Ok, vamos continuar.

A Nativa surgiu de forma natural e orgânica através da união de um grupo de mulheres. Embora o grupo não tivesse a noção de que o movimento tomaria grandes proporções, essa reunião acabou se transformando em um coletivo, ou melhor, uma rede colaborativa incrível.

Ainda falando sobre a história, tudo começou lá em 2018, quando se percebeu um movimento de mulheres que estavam atuando em algumas áreas técnicas e também de mulheres que tinham interesse em atuar profissionalmente dentro da cena cultural Recifense.
De um modo geral e em especial o mercado voltado para o backstage careciam de cursos e oficinas, ou seja, de um lugar para troca de referências, de conhecimento e claro, de capacitação da profissão. Mesmo nas poucas oficinas e cursos de capacitação que abriram em Recife voltados para a técnica de palco, áudio e iluminação a presença delas passou de uma ou duas para pelo menos umas oito mulheres por curso/oficina.

Ainda em 2018, notou-se um aumento significativo na procura de mulheres pelos cursos, mas também ficou evidente as dificuldades delas se inserirem nos palco para executar as funções nas quais elas vinham se qualificando e capacitando. Além da dificuldade de conseguir um trabalho, quando conseguiam, ainda tiveram que enfrentar e lidar com algumas questões delicadas como assédio e a constante subestimação de suas competências e capacidades enquanto mulheres (se conseguiam carregar peso ou se entendiam mesmo o que estavam fazendo).
O pior é que além das mulheres encontrarem esse tipo de ambiente, ainda existia (e ainda existe) a desvalorização local do profissional de cultura.

E foi para lidar com isso que as meninas resolveram se unir, formar uma corrente para promover soluções para estas e outras questões. Dessa união, meses depois surgiu a Nativa, coletivo de mulheres que prestam serviços como técnicas de som, roadies, produtoras, fotógrafas, iluminadoras, artistas, DJ’s e demais funções que compõem toda a cadeia artística-cultural. Foi entendendo que cada uma destas funções eram fundamentais para a execução de um show ou evento e que era necessário ter profissionais qualificados que a Nativa entendeu também que seu papel seria crucial para impulsionar esse salto evolutivo no cenário da região.

Para quem ainda não entendeu direito como a Nativa funciona, ela funciona assim: de forma holocrática, onde todas contribuem com o grupo, trabalhando para melhorar o “cenário” para todas e todos! O propósito é ajudar as mulheres que querem atuar na área e não sabem como ou por onde começar, indicando ou promovendo cursos, grupos de estudos, e promovendo o trabalho umas das outras, assim também praticando o empoderamento feminino no mercado local para tornar mais proporcional a atuação delas do mercado cultural.

Uma grande conquista é que o cenário e os desafios se tornaram mais fáceis de lidar com a Nativa. A aceitação dentro do mercado é positiva e nessa jornada muitas parcerias tem sido feitas para dar o melhor suporte à essa iniciativa. Em pouco, o coletivo vem mostrando o quão fidedigno é o ditado: a união faz a força. A perspectiva é realmente de união, com o objetivo de fazer do espaço de trabalho um lugar melhor onde todos, independente de gênero, sejam respeitados em seu ambiente de trabalho e devidamente valorizados. Do carregador ao artista.

Confesso que desconheço um coletivo como o Nativa em outras regiões, mas nós aqui da Roadie Store queremos apoiar e queremos muito que ele cresça e alcance outros lugares.

Eu pessoalmente achei a iniciativa fantástica, transformadora e inspiradora. A nossa classe precisa de movimentos como esse.
Aliás, nós aqui da Roadie comentamos recentemente no primeiro podcast criado 100% para os roadies e cenário em geral sobre os nossos planos de criação da Roadie Academy, mas isso é assunto para outro texto.

No mais, espero que tenha gostado do artigo de hoje e se você tiver alguma sugestão de tema, deixe nos comentários!

Obrigado e até a próxima!

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